O que você quer ser...
Acho que hoje em dia já nem se pergunta mais isso para as crianças, "o que você quer ser quando crescer?" Até porque essa pergunta já vem com um certo peso e uma necessidade de resposta, capaz de criar uma ansiedade ainda maior em uma sociedade que já é altamente ansiosa e deixa a cabecinha dos pequenos ainda mais confusa. Eu troco essa pergunta por "você pode ser quem você quiser". Mas quero deixar claro que a intenção não é isentar uma criança de responsabilidades mas não criar uma pressão desnecessária nela. Numa era em que a exposição de imagem está sendo demasiadamente explorada e as pessoas sentem por obrigação desenvolver 'talentos' e estar a todo momento com opiniões e respostas formadas para entregar a seus seguidores, admiradores e etc. e consumo de conteúdos rápidos está acelerando cada vez mais, parar para raciocinar é quase escasso. Se você desenvolve um trabalho usando sua imagem e conteúdos pessoais acaba se tornando vítima desse imediatismo e muitas vezes vazio e assim acabam replicando esse comportamento por ser mais facilmente aceito e isento do trabalho de planejar, como vemos acontecendo em muitas plataformas de entretenimento e mídias sociais.
Se você tem talento para movimentos corporais, já é meio caminho andado e então é só gravar um vídeo fazendo dancinha e postar no Tik Tok ou Instagram, se cair no gosto popular, já se torna famosinho.
É esse seguimento que está atraindo os jovens atuais. Eles querem conteúdo rápido e que entretém.
Eu particularmente, não curto ver dancinhas no TT, mas muita gente sim.
A questão é que essa geração é fortemente criticada por isso e visto como uma geração 'descompromissada' e irresponsável porque não querem trabalhos braçais, não querem trabalhar seis dias por semana, ganhar um salário mínimo e aguentar cobranças de chefe. Eu não tiro totalmente a razão deles. Em tempos de modernidade e remodelação de estrutura de pensamentos, é compreensível que esse comportamento mude e a sociedade tem que se adequar a eles e não o contrário.
Óbvio que cada casa é um caso e muitas vezes essa realidade não serve para um adolescente que precisa contribuir para o sustento de sua família e não tem tempo de sonhar pelo tão famigerado sucesso advindo da fama. A realidade é que a maioria dos adolescentes brasileiros não tem esse privilégio e por isso usa as redes sociais como uma simples forma de entretenimento pessoal, dando risadas de vídeos engraçados e curtindo o vloggueiro que admira, sonhando em um dia ser um também, ter milhares de seguidores e ganhar dinheiro com isso. Mas também não posso deixar de falar que há muitos conteúdos inúteis, como eu havia dito. E esses simplesmente não acrescentam nada senão apenas um momento de descontração barata com nenhuma proposta e com isso eles também faturam, falando idiotices.
Sim, mesmo isso é permitido ser, um completo babaca que só fala bobeiras e provoca risadas gratuitas mas que rendem dinheiro para quem o faz.
Hoje em dia a pergunta "quem quer ser famoso?" é a pergunta mais apropriada a se fazer, porque o que importa é o quanto você é capaz de gerar renda e retorno, independente do que você é ou faz, desde que promova entretenimento. Eu costumava pensar que antigamente as pessoas viviam para agradar as outras e se fosse socialmente bem visto, era aceito, então tudo, até suas palavras tinham que estar de acordo com o que os outros queriam ouvir. Mas hoje em dia eu vejo que isso está mais notável do que nunca. Porém, se você agradar um público certo, você será socialmente aceito e a mídia defenderá sua tese com unhas e dentes e é a partir daí que virá sua ascensão, desde que seja coerente. Por exemplo, vou citar a Jojo Toddynho, conhecida publicamente por ter um gênio difícil e não ter papas na línguas. Apesar de não ter o padrão exigido pela televisão, ela é aceita justamente pela sua personalidade e conseguiu ascender financeiramente através disso. A típica "negra, favelada, cantora de funk" conseguiu conquistar seu espaço e seu público. Isso é um ponto positivo, que mostra que antes muitos esteriótipos eram segregados, hoje em dia você pode ver qualquer pessoa, independente de classe social, gênero sexual, aparência e etc ganhando seu lugar e os padrões sociais cada vez menos irrelevantes. Claro que tudo vem com seu preço e não deixará de existir críticas ruins, pressão, pessoas que querem te derrubar e destilam veneno por puro prazer e a questão é, como você lida com isso?
Hoje a disputa não está mais no currículo, não está nos seus melhores cursos, diplomas, formação acadêmica, não estou dizendo que isso não seja relevante, mas que a disputa por 'quem consegue reter mais atenção, atrair curtidas, visualizações e seguidores' é um verdadeiro reality show e o que importa. Então se você tiver um excelente marketing pessoal, suas chances aumentam e seu engajamento também definirá o quanto você pode e é capaz de alavancar uma carreira profissional. Ainda que você tenha dom, não basta só saber dançar mas o quanto você consegue inovar e criar e o como sua personalidade se imprime no que você faz.
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